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Feliz Natal
Feliz Natal (Brasil/2008)
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O ano de 2008 começa a se aproximar do final e uma estréia nacional no circuito traz um nome sugestivo: “Feliz Natal”. Feliz é a palavra certa nesse caso, se por ela nos referimos à descoberta de Selton Mello como um competente diretor de cinema, em um pra lá de bem dirigido primeiro trabalho. Mas não é nesse clima de “boas festas” que o longa nos deixa, trazendo à tela um triste e emocionante retrato de uma família em conflito durante as comemorações de final de ano. Leonardo Medeiros é Caio, um jovem em viagem para o Rio de Janeiro para visitar os pais e o irmão no Natal. Separado de seus familiares, ele agora vive uma vida tediosa em um ferro velho no interior. Recebido por uma mãe que parece já ter se perdido em um mundo de álcool e senilidade, as marcas de algum grave acontecimento no passado ainda definem sua relação com o pai, que aparenta apenas ódio e desprezo pelo filho; e com seu irmão, que luta entre o amor por Caio e a fidelidade ao pai. A recepção pouco calorosa em sua casa é apenas o começo de uma viagem pelo passado que deixou para trás, os amigos que se afastaram e um evento traumático que mudou sua vida. A boa direção de Selton Mello pode ser explicada pela boa combinação de três elementos: roteiro; elenco; e fotografia. O roteiro, de Selton e Marcelo Vindicatto, narra uma pesada e depressiva história familiar, realista e com diálogos que passam longe do melodrama. O elenco foi muito bem escolhido e está cheio de atuações excelentes, incluindo algumas surpresas agradáveis, como Darlene Glória (“Toda Nudez Será Castigada”, de 1973), veterana da TV e do cinema que andava sumida e que impressiona no papel da drogada mãe de Caio, Mércia; e Paulo Guarnieri, outra feliz e inesperada escolha, vivendo Téo, o pai de Caio; Fabricio Reis também tem boa participação como o irmão Bruno e, é claro, Leonardo Medeiros, que tem o difícil trabalho de protagonizar essa história com grande carga dramática, desafio que ele supera de maneira emocionante. A fotografia, por sua vez, chama a atenção com o uso agressivo de “closes”, planos desfocados e cores saturadas, elementos muito bem explorados pelo diretor de fotografia Lula Carvalho (“A Festa da Menina Morta”, “Tropa de Elite”). ”Feliz Natal” merece aplausos não só por sua capacidade de retratar com verossimilhança (e até crueza) uma triste família, como também pela capacidade de seu diretor estreante em manter a sobriedade do trabalho, sem se deixar encantar pela câmera. Não deixa de ser um filme muito forte, mas quando a depressão passa fica a sensação de se ter assistido a um ótimo filme.
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Gustavo Catão
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