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Oliver Twist
Oliver Twist (Inglaterra/2005)
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Obra-prima literária de Charles Dickens, “Oliver Twist” já ganhou inúmeras adaptações para o cinema, sendo as que ganharam maior destaque: “Oliver Twist”, de David Lean, que concorreu ao Leão de Ouro do Festival de Veneza em 1948; e o musical “Oliver!” (1968), de Carol Reed (que ganhou o Oscar de melhor diretor pelo filme). Agora, em 2005, quando parecia que nada de novo poderia surgir em relação à obra de Dickens, Roman Polanski nos traz a versão definitiva da história, que ofusca todas as produções anteriores, inclusive às duas supracitadas.
Oliver Twist (Barney Clark) é um órfão entre as centenas que sofrem com a fome e o trabalho escravo na Inglaterra vitoriana. Vendido para um coveiro, ele sofre com a crueldade da família deste, e acaba fugindo para Londres. Lá, ele é recolhido das ruas por Artful Dodger (Harry Eden), um ladrão que o leva até Fagin (Ben Kingsley), um velho que comanda um exército de prostitutas e pequenos marginais. Quando Oliver conhece um bondoso homem em quem finalmente enxerga um possível pai, Fagin não vai permitir que o garoto denuncie seu esquema, e ainda aproveitar para planejar um assalto a casa do rico Sr. Brownlow (Edward Hardwicke), o pai desejado por Oliver.
Apesar de ser bem diferente de “O Pianista”, filme anterior de Polanski, muito em “Oliver Twist” nos remete ao mesmo. O sentimento de isolamento de Oliver na precária Londres lembra bastante a situação de solidão vivida pelo personagem de Adrien Brody no filme de 2002. Visualmente ambos os filmes também se parecem, até por que toda equipe técnica é a mesma.
Com uma direção primorosa de Roman Polanski, “Oliver Twist” é, além de emocionante, tecnicamente perfeito. Não se surpreendam se o longa for indicado aos Oscars de Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem, Melhor Direção de Fotografia etc. O filme conta ainda com uma belíssima trilha sonora.
Deixando a parte técnica de lado vamos tratar do elenco. Todos os atores estão muito bem, tanto os adultos quanto as crianças, mas é impossível não destacar dois: Ben Kingsley, que debaixo de uma maquiagem espetacular está impecável, como sempre, na pele do maldoso Fagin; e Barney Clark, que encara com maestria a responsabilidade de estrelar um filme das proporções de “Oliver Twist” (orçado em US$ 60 milhões – o filme mais caro da carreira de Polanski). Barney Clark é Oliver Twist e Oliver Twist é Barney Clark. Dificilmente outro ator conseguirá se destacar interpretando o personagem depois de Clark. O expressionismo facial do astro mirim é um dos pontos altos da fita. Seus olhos quase sempre lacrimejando são de emocionar até o maior dos brutamontes.
Não deixe de conferir a versão de Polanski de “Oliver Twist”, que é sem sombra de dúvida a mais bela e mais fiel ao romance de Dickens que já chegou ao cinema. Todas as adaptações anteriores eram basicamente filmes infantis, mesmo os que não o eram consistiam em filmes mais leves que este aqui. O filme de 2005 é o que mais se aproxima do livro no quesito sofrimento do personagem, mas o livro ainda é mais triste. A reconstituição da Londres vitoriana também é um dos destaques do filme. A miséria retratada de forma crua pelo renomado cineasta consegue chocar até nós brasileiros do século XXI, infelizmente acostumado a conviver com a pobreza de boa parte de nossa população.
Para terminar esta crítica, nada melhor do que a frase mais dita por Oliver no livro, e no filme: “Please, sir, I want some more” (Por favor, senhor, eu quero um pouco mais).
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Lucas Salgado
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Comentários, Críticas e Curiosidades enviadas pelos Visitantes
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"Dizer que esta é a versão definitiva da obra de Dickens é um equívoco. Nenhuma versão é tão bela quanto a do direitor Carol Reed (1968) com Mark Lester no papel-título e com a clássica interpretação do falecido Jack Wild como o Artful Dodger, vencedor do Oscar nas categorias melhor filme, melhor diretor, melhor trilha sonora, melhor direção de arte e melhor som. Indicado para melhor ator principal (Ron Moody), melhor ator coadjuvante (Jack Wild), melhor fotografia, melhor figurino, melhor edição e melhor roteiro adaptado.
Genial a criação de Ron Moody para o chefe dos ladrões Fagin e a de Oliver Reed como Bill Sikes.
Embora a voz de Oliver Twist tenha sido dublada pela filha do diretor, o histrionismo de Mark Lester (pai da filha do Michael Jackson) aos 10 anos é que é definitivo. Ofusca todas as outras intenções. "
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visitante Gildo Henrique
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