Confraria entrevista Gerard Butler
Eu vejo que você já sabe fazer compras aqui no Rio. Eu te vi aqui perto numa loja da Osklen.
Esta é a minha calça da Osklen, esta é a minha camisa da Osklen. Eu sou uma loja da Osklen ambulante. O que aconteceu foi que a American Airlines perdeu a nossa bagagem. A de todo mundo. Então a gente entrou na loja e eles simplesmente nos deram tudo, o que foi muito amável da parte deles. Eu estava em Londres e nós viajamos via Nova York. Antes nós estávamos em LA e viajamos onze horas até Londres e então para Nova York e depois para cá. E então nós chegamos na alfândega em São Paulo e nossa bagagem tinha sumido e foi aquele inferno e então nós chegamos no Rio, que colocou um sorriso no rosto de todo mundo porque este lugar é muito bonito. Você chega e vê as praias e aquelas belas ilhas...
Como é estar neste filme que agora é um sucesso tão grande?
Muito bom.
Você esperava este sucesso?
Não. Quer dizer, eu tinha esperança que o filme fosse muito bem. Eu me lembro lá atrás, quando eu li o roteiro, li os quadrinhos e vi as idéias do Zack, que me senti como se estivesse vendo um segredo e que este filme poderia ser revolucionário e uma coisa tão legal e diferente. E então quando eu assisti o filme ele era muito mais do que eu poderia esperar em todos os aspectos, mas mesmo assim eu só achei que ele poderia ir bem. Eu vi junto ao público e eles adoraram, mas acho que ninguém esperava que fosse ser algo tão grande. Ele parece mexer com algo que é maior que nós, que é maior que o próprio filme, e o mais interessante é como as pessoas estão reagindo a isto. Eu recebi uma carta de um cara dizendo que assistiu o filme em Savannah, Georgia, e o filme foi aplaudido de pé. Ele disse que nunca viu algo assim, ás vezes parece que alguns filmes simplesmente empolgam as pessoas.
Qual é a sensação de ser o nome mais quente em Hollywood agora?
Eu não sei se sou o nome mais quente agora.
Nós temos lido um bocado de coisas sobre você na internet.
Eu não posso responder essa pergunta porque fica parecendo que eu acho que sou o nome mais quente em Hollywood (risos). Eu com certeza percebi muitas mudanças muito rapidamente em termos de carreira. E é bom, mas eu não sei se é sorte eu sentir que não tive a chance para absorver isto tudo, porque tudo aconteceu naquele final de semana e na terça-feira eu já estava no avião para Londres, onde não aconteceu ainda, e agora eu estou aqui, e eu não vou estar mais aqui quando acontecer por aqui. Então eu acho que o processo de absorver isto tudo vai levar mais algum tempo, mas isto é bom porque se ficasse muito grande muito depressa eu ia acabar me deixando levar.
Fale um pouco sobre se tornar um ícone para os fãs de quadrinhos.
Eu tive de lidar com este tipo de coisa antes, em termos de atuar em algo que te traz alto risco porque você se expõe em um papel que pode trazer muitas críticas ou elogios. Então você na pode se prender muito às críticas, da mesma forma que você não pode se prender muito aos elogios. É óbvio que você agradece os elogios, mas se você só ouvir isso e não as críticas você fica com medo de ficar uma coisa meio desequilibrada. É mais uma coisa de o quer que aconteça, é isso mesmo e assunto encerrado. Eu queria fazer este personagem porque o que eu fizesse não significaria nada em vista de Zack Snider, que é a mente por trás do trabalho. Mas por outro lado, também não seria nada se não fosse pelo meu trabalho e de todo o elenco. Nada disso não significaria nada se não fosse pelo trabalho de todo mundo, o que é uma coisa muito legal porque o filme é sobre isso. Sobre nenhum homem conseguir sobreviver por si só, que é preciso um trabalho de equipe, que cada espartano é um elemento essencial e que se um só falhar tudo se estilhaça. Se Zack tivesse falhado eu não estaria sentado aqui e se eu tivesse falhado o Zack não estaria sentado aqui. A gente devia ter falhado para não ter de dar tantas entrevistas (risos).
Você vai ser o Snake Plisken, certo? É verdade sobre “Fuga de Nova York”? Está confirmado?
Está confirmado, mas é claro que ainda depende de encontrar o roteiro e o diretor certos. Eu adoro a idéia, mas isto está longe ainda. Vai ser pelo menos muitos meses ou um ano até nós sentarmos para discutir o projeto. Mas é uma grande idéia. Se a gente faz isso direito pode ser outro filme muito legal e muito diferente. Eu não faria se não achasse que possa ser algo diferente e desafiador.
Então não é um remake?
É um remake no sentido de “Fuga de Nova York” de John Carpenter, mas ao mesmo tempo é uma nova visualização de toda a coisa. Eu acho que vai ser igual nos elementos básicos, mas dentro destes limites vai ser muito diferente.
Você falou com Kurt Russell sobre isso?
Não. Ainda não. Tudo aconteceu muito rápido e eu ainda não sei se quero conversar com Kurt Russell sobre isso. Quer dizer, ele é um dos meus atores favoritos e ele em “O Enigma do Outro Mundo”, do John Carpenter... Bom, “O Enigma do Outro Mundo” é um dos meus filmes favoritos. Mas eu quero que este seja o meu Snake Plisken. Eu não conversei com o Russell Crowe antes de fazer este papel. Conversar com as pessoas só vai te fazer virar uma versão pior do que eles já fizeram. E eu não quero fazer isso.
Há várias discussões sobre o conteúdo político de “300”, especialmente em relação à situação do Oriente Médio. Na sua perspectiva, que fez um rei que é também um herói, como você definiria o seu Leonidas?
Sabe, isso é algo que você é que tem de decidir. Nós sabíamos que estávamos entrando em um território perigoso. Eu sabia que os paralelos que eu tivesse que traçar seriam de natureza mais pessoal, dentro da minha cabeça e pensando no que o meu povo, o povo escocês, passou. Mas eu não iria colocar em um contexto moderno porque, pra falar a verdade, isso é bobagem. Não seria isso que me daria o sabor ou o fogo que eu preciso. As pessoas ficam dizendo que o filme faz uma afirmação política, mas tem gente que diz o mesmo, mas de forma totalmente oposta. Quer dizer, quem eles dizem que é o Bush, ou melhor, quem eles dizem que são os EUA e quem eles dizem que é o Iraque estão trocados. Dá pra argumentar nos dois sentidos. Então fica difícil dizer que nós estávamos fazendo uma afirmação política quando as pessoas dizem coisas opostas. Mas isto é legal porque põe as pessoas para discutir a situação atual, mas esta não foi a nossa intenção.
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