Confraria entrevista Zack Snyder
Como é ter o filme de maior sucesso de bilheteria do ano até o momento, já tendo arrecadado mais de US$ 100 milhões?
Soa como um erro (risos). Brincadeira. É sensacional, porque nós rodamos nosso filme no Canadá, sem grandes estrelas, com classificação R (classificação máxima nos Estados Unidos; significa restrito para menores de 17 anos), é muito louco. Na verdade, é um filme feito para um público específico. Eu sinto que essas pessoas para quem eu fiz o filme não ganham filmes realizados especificamente para eles. Eu achava que o filme iria faturar um bom dinheiro, mas não esperava todo esse sucesso, porque esse público por mais que seja apaixonado não é muito grande. Se você vai à Comic Com (principal feira de quadrinhos do mundo) ou visita o Aint It Cool News ou outros sites do gênero, você sabe: “ok, é um blockbuster”. Naquele universo, você sabe que todas aquelas pessoas irão ver o filme. Se você está na Comic Com e olha ao redor, você sabe que todas aquelas pessoas irão ver o filme. Mesmo se não tiverem interessados, eles vão ver o filme. Aí eu pensava: “se só na Comic Com eu for um herói está tudo bem!”. É estranho. Eu acredito que o que aconteceu com “300” foi que as pessoas viram as imagens e pensaram: “essa é uma experiência diferente para mim”. E isso transformou o filme num sucesso, fez com que as pessoas quisessem ver “300”. O que acontece é que Hollywood tem uma fórmula para os filmes, não para todos, mas para a maioria. Então você senta na sala e já sabe o que esperar, não é muito violento, não é muito sexy, qualquer um pode ver? A Warner queria que esse filme fosse PG-13 (não recomendado para menores de 13 anos). Eu gostaria de saber como fazer isso, mas honestamente eu não sei. É violento, sexy, eu não sei como fazer isso para crianças. E eles (executivos) me diziam: “sério, não é para crianças? Mas é uma história em quadrinhos”. No que eu respondia: “Vocês já foram à Comic Com? Não tem crianças lá!”. Se eu visse uma criança na Comic Com eu perguntaria: “Quem trouxe uma criança pra cá? Isso é irresponsabilidade, não se pode trazer uma criança para uma convenção de quadrinhos” (risos).
Fale um pouco sobre “Watchmen”, seu próximo projeto?
Em “Watchmen” acontece a mesma coisa, não é seguro para Hollywood, pois ataca toda fórmula que Hollywood tem para ganhar dinheiro que são os super-herói, como Homem-Aranha, Superman, Batman etc. Essa fórmula todos podem assistir, são aventuras familiares, com ícones bons versus ícones maus, é dinheiro no bolso! Aí eu chego e digo: “Ok, eu também quero dirigir uma adaptação dos quadrinhos”. Eles ficam super-animados e perguntam por maiores detalhes, no que eu falo: “Primeiramente será uma adaptação com classificação máxima”. Nisso eles já dizem: “Não, impossível! Não existe isso de uma adaptação de quadrinhos com censura máxima, o que acontece?”. E eu digo: “Me desculpem, mas neste caso é necessário. Um dos super-heróis tenta estuprar o outro, um dos super-heróis são maus, alguns são emocionalmente destruídos, alguns não estão nem aí para a humanidade”. Mas eu acho que existe um público para isso, as pessoas querem ser desafiadas, elas estão cansadas do que tem saído por aí. As pessoas têm me perguntado se “300” é um filme político. Mas na verdade não é. “Watchmen” sim é político. “Watchmen” é hardcore.
Você vai fazer “Watchmen” com os russos e tudo mais ou vai atualizar a história?
Com os russos!! Com os russos, com a Guerra Fria, com Nixon, com Kissinger, com tudo isso. Eu amo essa história. Sempre que tivermos uma produção com Nixon e Kissinger, com uma trama sobre a destruição do mundo, vai ser um filme legal, não importa o que mais acontece.
Nesse filme você também vai dar preferência para atores menos consagrados? Ou terá alguma estrela?
Eu não sei. Conversei com muitas pessoas, mas ainda não tem nada certo. Eu chamei o Tom Cruise para interpretar Ozymandias. Nós tivemos uma conversa fantástica, ele ficou muito animado com a idéia, mas não vai fazer. Está muito ocupado.
Tiveram rumores sobre Sylvester Stallone interpretando o Comediante. Tem alguma verdade nisso?
Não. É uma boa idéia. Seria legal fazer isso, mas difícil no nosso caso. Eu quero trazer aqueles personagens de 1937 para hoje e não acho que tenho tecnologia suficiente para fazer com que Sylvester Stallone pareça ter 20 anos.
“Madrugada dos Mortos” termina de forma bem niilista, assim como “300”. E essa é a mesma realidade de “Watchmen”. Esta é uma tendência sua?
Eu não vou dizer que eu faço de propósito, mas quando eu li o roteiro de “Madrugada dos Mortos” e vi Michael colocando a arma na cabeça pensei: “Esse é um final legal!”. E em “300” foi a mesma coisa. Eu gosto de filmes com um bom final. E acho sensacional todos morrerem. O problema é que é ruim para seqüências (risos). Me perguntaram qual é a seqüência de “300”. E eu disse: “Isso é interessante, porque me perguntaram qual seria a seqüência de ‘Madrugada dos Mortos’ e eu até então não tinha uma resposta para esta pergunta, mas agora com ‘300’ acho que podemos achar uma forma de combinar os dois filmes. Talvez os espartanos voltem como zumbis (risos)!”.
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